De lavar prato a CEO: o que a trajetória de Jim Lanzone ensina sobre formar líderes de verdade

Quando a origem humilde vira combustível — e não desculpa — para liderar empresas globais

Liderança·24 de julho de 2026·3 min de leitura·Fonte original: Fast Company Leadership
De lavar prato a CEO: o que a trajetória de Jim Lanzone ensina sobre formar líderes de verdade

Quantos líderes que você conhece chegaram lá sem nunca ter feito o trabalho pesado?

A Fast Company publicou um perfil do Jim Lanzone, CEO do Yahoo, que começa com um detalhe revelador: antes de comandar uma das marcas mais reconhecidas da internet, ele era busboy — aquele cara que limpa mesa e carrega bandeja em restaurante. Seus avós paternos tinham uma barraca de fish and chips no Harlem. Sua mãe era professora, seu pai advogado. Ninguém na família sabia como o mundo dos negócios funcionava.

E é exatamente aí que está a lição de liderança mais importante que essa história carrega.

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A experiência que a escola de negócios não dá

Tem um equívoco clássico no mundo corporativo brasileiro: a ideia de que líder se forma em MBA, em curso de alta gestão ou em programa de trainee de multinacional. Tudo isso ajuda. Mas nenhum currículo substitui o que você aprende quando precisa fazer o trabalho duro sem rede de proteção.

Lanzone cresceu sem referência de negócios dentro de casa. Isso significa que cada coisa que ele aprendeu sobre mercado, sobre gestão, sobre decisão sob pressão — ele aprendeu na prática, errando, consertando e indo de novo. Não tinha pai empresário pra ligar quando o bicho pegasse.

Para quem lidera equipes hoje, isso levanta uma pergunta incômoda: você está formando pessoas que sabem fazer o trabalho duro, ou está formando pessoas que sabem falar sobre ele?

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Foto: Timur Weber via Pexels

O que muda na prática para líderes e gestores

  • Exposição real forma mais do que treinamento teórico. Se você quer desenvolver um liderado, coloque-o em situações onde ele precise resolver, não apenas apresentar. Projeto difícil, cliente complicado, decisão sem manual — é aí que o caráter de líder se revela. Reunião de alinhamento não forma ninguém.

  • Origem humilde não é handicap — é diferencial competitivo, se bem aproveitada. Profissionais que precisaram superar falta de recursos, falta de conexão ou falta de referência tendem a ser mais resilientes sob pressão. O erro do gestor é não enxergar esse histórico como ativo. Muita empresa brasileira descarta talento porque ele não veio do circuito certo.

  • "Não ter medo de fazer o difícil" é uma habilidade — e ela se treina. Lanzone diz isso diretamente. Líderes que só se candidatam ao que já sabem fazer viram especialistas em conforto. O gestor que quer time de alta performance precisa criar cultura onde tentar o difícil é valorizado — mesmo quando dá errado.

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O que fazer essa semana

Olha para o seu time agora. Identifica quem está sempre nos projetos "seguros" — e pergunte se isso é escolha deles ou escolha sua. Às vezes quem trava o desenvolvimento do liderado é o próprio gestor, que prefere manter o bom performer no lugar conhecido a arriscar colocá-lo em algo novo.

Escolha uma pessoa do seu time esta semana e ofereça um desafio real — não uma tarefa a mais, mas uma responsabilidade que ela ainda não assumiu. Deixa ela errar um pouco. Deixa ela resolver. É assim que líder se forma.


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